Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Mário, Mário Crespo contra PSP

Apanhei a entrevista do Mário Crespo ao ministro Pedro Silva Pereira (PSP) e registei vários pontos curiosos que gostava de partilhar: 

1.º É curioso como nunca me lembro de que pasta ele é ministro. Vejo-o sempre como ministro do Sócrates e não com responsabilidades extra que não sejam a propaganda ao Governo (e, atenção, que não sou uma anjinha que ache que não é preciso promover as acções do executivo). Mas, pronto, já fui ver e o PSP é Ministro da Presidência, o que só vem confirmar as minhas opiniões, só com que nome mais pomposo.

2.º Por que razão vai o PSP à entrevista - no lugar que estava reservado a Pedro Passos Coelho - em vez de ir o próprio Sócrates? E fui só eu que achei que era ridículo estar ali alguém a defender o nome de outra? Por favor...

3.º E o Pedro Passos Coelho? Aceitou na boa dar o lugar ao PSP? Foi para pagar o favorzinho de aparecer como cara da oposição na "Economist" sobre Portugal?

4.º Mais: alguém percebeu alguma coisa do que o PSP lá foi dizer?Ou ficaram todos como eu, que passei o o fim-de-semana sem perceber porque se estava a fazer tanto barulho com algumas coisas que me pareciam ninharias, quando a verdadeira pergunta é: onde pára a guita?

Expostas que estão as minhas dúvidas políticas, concentremo-nos no Mário Crespo:

Pela parte que me toca tenho a dizer que estou a gostar bastante. É mais: eu achava que ele era um "suave" no "Jornal da 9" na SIC Notícias e estou surpreendida com o resultado. Por detrás daquele ar suave e ameno, esconde-se um abutre (no bom sentido) que não deixa espaço para mais ninguém. Gostei. O homem é capaz de perguntar as maiores barbaridades sempre com um sorriso no rosto. E vale não só pelo que dizem os entrevistados, mas também pelo que não dizem.

 

*Agora estou a ouvir os comentários do Luís Delgado e do Henrique Monteiro, director do Expresso, sobre a entrevista e o caso Freeport, e estou um pouco aborrecida! Os senhores nõa se importavam de não ter sempre a mesma opinião? Você é muito bom... Não, você é que é...

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Publicado por Lina às 22:13

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6 comentários:
De Vitor S. Diz a 27 de Janeiro de 2009 às 11:07
A entrevista de Mário Crespo de ontem ao tal senhor do PS (Pedro da Silva Pereira) que ninguém sabe quem é de facto e que a única imagem que dá é de ser "O Bombeiro de Serviço " do governo, foi uma daquelas entrevistas que muitos aprendizes a repórteres deveriam ver para aprenderem. Pois Mário Crespo mostrou que estava sempre em controlo da entrevista e não deixando o tal senhor entrevistado divagar e repetir sempre a mesma coisa como é seu hábito bem como é hábito do Primeiro Ministro José Sócrates em que só eles é que falam esgotam o tempo das entrevistas sem que o entrevistador lhes consiga fazer qualquer pergunta. É uma técnica muito de Chico esperto, mas que o Mário Crespo soube contornar com grande mestria. Os meus parabéns a Mário Crespo. Precisamos de REPÓRTERES como ele.


De J. Bravo a 27 de Janeiro de 2009 às 14:44
1. De facto a PRINCIPAL pergunta era e é: onde pára a guita?
2. Logo seguida de uma outra a PSP quando disse
"A notícia que eu tenho..., é que ele (o Tio do 1º) terá alertado para a circunstância de haver alguém que estaria a pedir dinheiro a um promotor e na sequencia disso terá procurado promover uma reunião com o Ministério do Ambiente..." O QUE FEZ O MA?
Chamou a PJ, informou a PGR ... Sim... o que fizeram face a algo tão grave


De Filipe Pacheco a 28 de Janeiro de 2009 às 05:14
Gostaria de dizer que não concordo com muito do que foi dito neste post e passo a explicar porquê.

Em primeiro, a alusão a Pedro Silva Pereira como não outra coisa se não o “ministro da propaganda” do Governo, revela à partida que não se irá abordar a entrevista só pelo seu conteúdo, mas também por prévias convicções que, aqui, o atacam pessoalmente sem justificação. Além disso, revelam ainda algum nível de desconhecimento da nossa vida política (tema aqui em análise).

Segundo, não partilho da admiração por ter sido PSP a ir à entrevista em lugar de Sócrates, uma vez que o primeiro foi Secretário de Estado do Ord. Território e Cons. Natureza no ministério do ambiente da altura. Mais, deveria Sócrates ter ido à entrevista depois, de entre outras, ter vindo a público esclarecer o assunto numa conferência de imprensa, onde os jornalistas poderam colocar as suas questões? A meu ver, não. Seria “entrar no jogo” do jornalismo populista, sensacionalista e sedento de “matéria para vender”, que, à falta de outras notícias, tenta julgar e expôr as pessoas em praça pública, sem qualquer respeito pela honra ou dignidade individuais. Jornalismo este que até à data para mim Mário Crespo não personificava, mas que é pão nosso de cada dia no jornalismo Português.

Terceiro, sim percebi o que ele foi lá dizer. Ouvi a entrevista como todos devemos ter ouvido e assisti a uma resposta clara e devidamente fundamentada (e comprovada) do que estava a ser dito. Ele respondeu a tudo o que o tal “abutre (no bom sentido) que não deixa espaço para mais ninguém” quis perguntar. Se as coisas que para lá foram faladas foram “ninharias”, então talvez o jornalista não tenha sabido conduzir a entrevista.

Nisto tudo, o problema é o tal “abutre...[que] não deixa espaço para mais ninguém”! Tal como especifica o código dentológico do jornalista, este deve ser isento. O que dizer então da pergunta “Era possível, no ambiente governativo que se vivia, obter favores por dinheiro?” ?! Depois de o homem ter dito dezenas de vezes que tudo o que foi noticiado a esse respeito era falso, não passavam de ataques ao PM e que tudo tinha sido feito dentro da legalidade, o que é esta pergunta?? Mais nada se não a prova de que Mario Crespo não deixou fora do estúdio a convicção pessoal de que José Sócrates é culpado de alguma coisa. É certo que perguntar não deve ofender! Mas tenho a certeza que se PSP a dada altura perguntasse “Mário Crespo, é traficante de droga?” ele não iria ficar muito contente. PSP não tinha razão nenhuma para perguntar isto, tal como Mário Crespo não a tinha para perguntar o que perguntou depois de todos os desmentidos do ministro. As perguntas assim, desprovidas de base factual ou alvo de desmentidos prévios , apenas pela sua formulação, não são mais do que ataques. Ataques esses que apenas se limitam a perpetuar nas páginas dos jornais um assunto que, do que podia, já foi esclarecido.

O que não podia, que é a questão aqui considerada essencial (onde pára o dinheiro?) é exclusivamente do foro judicial. É por isso que tanto as autoridades portuguesas como as inglesas estão, faz tempo, a investigar o caso.

Termino com uma de muitas reliquias jornalistas que o “mestre” (como aqui foi comentado)- não sou dessa opinião - Mário Crespo hoje nos presenteou:

“MC: - O tio era, ou não, tio do Primeiro-Ministro?
PSP: - O tio era...Está-me a perguntar se o tio era, ou não, tio do Primeiro-Ministro?!
MC: - Era ou não? ..Ou não? É?...”


De Lina a 28 de Janeiro de 2009 às 10:09
Caro Filipe,
em primeiro lugar, obrigada pelo seu comentário e, sobretudo, pela forma civilizada com o fez. É tão raro encontrar pessoas assim - que se identificam e que não partem para o insulto gratuito!

Quanto ao conteúdo, já sabe que não estamos de acordo (e até encontrei mais pessoas que partilham da sua opinião). Por exemplo, é evidente que eu parto para todas as entrevistas com um pré-conceito sobre o entrevistado (e sobre o entrevistador): é a minha memória a funcionar. Repare, nada me move contra PSP, simplesmente não me recordo de uma única ocasião em que ele tenha aparecido com uma decisão de relevo para o País. Sempre que o vi, estava a promover Sócrates ou as medidas do Executivo, ao contrário do que fazem os ministros da finanças, da saúde ou da educação. Mas, volto a dizer, eu sei que é necessário que alguém cumpra este papel. Não gosto é que me queiram fazer acreditar que não é isso que ele está a ali a fazer. Ah, e também não aprecio particularmente que use a comunicação social para divulgar os magníficos elogios que vêm da OCDE sobre as reformas na educação e depois se insista na teoria da cabala quando já não nos convém.

Menciona também um pormenor que me pareceu muito curioso. À altura dos eventos, PSP tinha responsabilidades no ministério do ambiente. Contudo, em nenhum momento da entrevista chamou a si esse título: o de ex-secretário de estado. Falou sempre como ministro da presidência e creio que em várias ocasiões o poderia ter feito. Por exemplo, quando Mário Crespo lhe pergunta se o tio era, ou não, tio do primeiro-ministro...
Sobre este momento, em particular, por mais bizarro que possa parecer (e é), creio que Crespo sabia o que fazia e queria apenas enervar o entrevistado. Ora, se era esse o objectivo, acho que conseguiu.
E, atenção, se como diz Sócrates já tinha esclarecido tudo, por que razão PSP aceitou o convite para ir à entrevista?



De Realista a 28 de Janeiro de 2009 às 10:12
Concordo com artigo. Agora, sobre Mário Crespo. É um bom jornalista. Gosto de ver todos os dias o Jornal das Nove na Sic N
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Concordo com artigo. Agora, sobre Mário Crespo. É um bom jornalista. Gosto de ver todos os dias o Jornal das Nove na Sic N <BR class=incorrect name="incorrect" <a>oticias</A> . Mas...Mário Crespo só sabe dizer mal. Às vezes discordo dele. A verdade não está só na cor preta ou na cor branca. Muitas vezes está no meio termo.


De mariahenriques a 4 de Fevereiro de 2010 às 16:01
ó mário crespo por favor não seja um mártir que a gente não quer cá disso


Mário crespo questiona-se sobre martirios; coitado deve estar sentindo arrepios na espinha de cada vez que imagina ouvir aquilo que os tais amigos disseram ter ouvido mas que ao que parece talvez não tenham ouvido e que ninguém parece estar capaz de assumir que ouviu.

http://apombalivre.blogspot.com/2010/02/o-mario-crespo-por-favor-nao-seja-um.html


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